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Entendendo a energia

Postado dia 06/02/2007 às 11:57 horas, por Administrador.

                 Entendendo a energia no

processo do aspirante                

      Essa fonte intangível, mas perceptível, recebe vários nomes a depender do tipo de função ou densidade em que funciona, sendo então elétrica, mecânica, eletromagnética, etc,

como descrita pela ciência.

       Nas escolas esotéricas também recebe vários nomes a depender da origem da filosofia.

      A  Energia que estamos acostumados a identificar em obras da Suddha Dharma, como Shakti ou Maya, é a força que movimenta e põe em desenvolvimento o processo do Samsara  em seu eterno rodar.

     Vamos iniciar definindo-a: essa é a mediadora entre espírito e matéria. É a energia que dá Vida à matéria, melhor dizendo, o espírito que é a força motriz geradora de vida dá, através da energia, movimento à matéria.

     A Energia é a letra M do pranava que define o som primordial e cósmico, sendo as duas letras anteriores A, o espírito, e U, a matéria. O  M  dá a energia que cria o intercâmbio entre espírito e matéria.

      Essa  fonte, para ser  orientada  no processo cósmico, se divide em duas correntes que se completam, gerando toda a manifestação polarizada do Samsara: Ida e Pingala, positivo e negativo, masculino e feminino, Yang e Yin. Antes dessa divisão, a energia existia num processo latente e não manifestado.   

      A  Shakti tem tripla função: Devi, Kalyana ou Esha e Gunamaya. Como Devi assume o aspecto de criação, manifestação, origem. Como Kalyana ou Esha assume o aspecto preservador, continuador, e como Gunamaya de destruidor ou reintegrador. Essas três formas de energia promovem toda a contínua evolução cósmica num eterno rodar do que chamamos o Jagat Samsara. É esse mesmo movimento que macrocosmicamente faz girar toda a engrenagem  que microcosmicamente também se repete em nós. Essa contínua interação entre as três formas energia é a mesma que gera o eterno desenvolvimento de sistemas, galáxias, universos e também corpos,  pensamentos, sentimentos, idéias, conceitos, paradigmas.

      Nesse fundamento repousa toda a teoria de Brahmasamypia: a eterna e ininterrupta aproximação a Deus e é assim também que todos os nossos  infinitesimais ou grandiosos

processos acontecem, ou seja, num contínuo criar, preservar e destruir. Estamos, mesmo que inconscientes, repetindo esse  giro que é o infinito movimento cósmico que, ainda mesmo que não saibamos, nos faz caminhar nessa roda evolutiva.

      Durante esse  criar, preservar e destruir lançamos mão também de dois outros movimentos que  desdobramos, repetindo também o processo macrocósmico: exteriorização (pravritti)  e interiorização  (nivritti), negativo e positivo, masculino e feminino,  plagiando aqui também os aspectos de inspirar e expirar que individualmente e mecanicamente realizamos da mesma forma que os big bangs cósmicos, buracos negros e brancos do universo que continuadamente surgem,  deslumbrando ou até mesmo apavorando ciência e humanidade.

      Vamos tentar tratar agora de como esse mecanismo de Vida  coloca em funcionamento o processo individual para que possamos, conhecendo, usar melhor  a energia que estamos pretendendo atrair e acionar.

      A Matéria que mais corresponde ao nível humano é a que chamamos de Gunamaya, muito embora também possamos acionar, como consciência, as demais e superiores energias Esha ou Devi Shakti. Na  Esha ou Kalyana Shakti funcionam ou avataras e na Devi os Devas, potestades manifestadores das criações cósmicas.

      Guna significa qualidade  e no processo humano se divide em três: Satwa (superior ou harmônica), Rajas  (intermediária, movimento ou explosiva)  e Tamas (inerte, inferior, sem movimento).  Essas três densidades vibratórias demonstram como usamos a energia que captamos: harmonicamente ou com equilíbrio, intempestivamente com excesso de força ou comando,  ou praticamente inertes, só movidos quando a Vida nos dá um empurrãozinho.

      Essa é a forma como usamos a energia que absorvemos do Prana,  alento que nos dá Vida. Mas de que forma a captamos? Vamos primeiro entender Prana: a ciência acadêmica nos revela que a respiração nos mantêm vivos porque somos seres aeróbicos.  A ciência esotérica nos revela que o que nos mantêm vivos é o Prana que é mais que o ar que respiramos, é a substância  contida no ar que inspiramos como energia de Vida. É essa  a fonte que nos mantêm vivos que está contida no ar que respiramos, que é sutilíssima, força vital, verdadeiramente inteligência pura e indiscriminada.

      Voltamos à pergunta: de que maneira a captamos? Por nossas narinas? Podemos dizer que sim, mas não só por  elas. Todo o universo é compenetrado por energia que dá Vida a todas as coisas e seres. Nem um só pensamento poderia ser articulado sem energia, nem um só movimento poderia ser processado. Todas as coisas e seres estariam inertes, imóveis, adormecidos no corpo divino, latentes  e sem manifestação.

      Queremos tratar aqui de como essa energia chega e se movimenta em nós. A abertura ou porta direta para sua entrada são os Chakras que se localizam no Pranamayakosha, mas,

como dissemos antes, essa energia permeia e compenetra todas as coisas e seres, como éter

sutilíssimo.  Por meio dessas rodas, a energia entra e se distribui como energia vital, como o sangue espiritual que mantém vivos nossos corpos, desde o mais denso até o mais sutil. 

      Vamos recordar primeiramente quais são os principais chakras  e corpos por onde somos  compenetrados por essa energia vivificadora.

       Os sete principais chakras são: Muladhara (base da espinha), Syadisthana (baço), Manipuraka (plexo solar), Anahata (coração etérico), Vishudi (garganta), Ajna (entre as sobrancelhas) e Sahashara (alto da cabeça).

      Os cinco corpos como descritos pela SD  são: Annamayakosha (feito de alimentos), Pranamayakosha (feito de prana), Manomayakosha (feito de pensamentos), Vignanamayakosha (feito de discernimento) e Anandamayakosha (feito de bem- aventurança).

      Esses corpos detêm o que seria o DNA de nossas almas. Eles respondem energeticamente, vibratoriamente à densidade que nos corresponde como capacidade de atrair e usar, a energia que trouxemos e que somos também capazes de acionar em nós e ao nosso redor.

      No Muladhara carregamos, desde o nascimento, a carga de energia que já fomos capazes de atrair e assimilar em vidas anteriores. Nele concentramos a Vida bruta, por assim dizer, que nos mobilizou a esse novo nascimento.

      No Syadisthana trazemos nossa capacidade de assimilação e filtro de tudo aquilo que absorvemos do ambiente externo a nós.

      No  Manipuraka temos o registro de todos os nossos medos e desejos desenvolvidos ao longo de nossa jornada evolutiva, desde a vida animal até esse primórdio de humano que somos hoje.

      Até esse terceiro chakra se diz que temos completamente desenvolvida a condição animal que carregamos e até aí é que desenvolvemos, na plenitude, os nossos  cinco sentidos ou Indriyas. Temos aqui a divisão como feita na SD:

      Os cinco Mahabhutas com os quais os sentidos se relacionam no processo de exteriorização, desenvolvendo o aprendizado infinito: água, ar, terra, fogo  e eter.

      Os cinco Tanmatras: tato, paladar, olfato, visão e audição.

      Os cinco Gnanaendryas: pele, língua, nariz, olhos e ouvidos.

      Os cinco Karmaendryas: mãos, pés, ânus, genitais e boca.

      No Anahata começamos a desenvolver nosso lado verdadeiramente humano. Nesse chakra está a sede do espírito envolto no akasha ou etér do coração. Esse é o chakra que estamos buscando acionar para conquistar a completa condição humana sendo, então, aí capazes de viver fraternidade, solidariedade, amor não físico, mas de verdadeiro sentimento. Sermos capazes de carrear a energia que trouxemos no básico, Muladhara, assim como a que estamos continuamente captando no processo evolutivo atual, para esse centro significa estar conseguindo  viver os primeiros passos do amor ao próximo e todas aquelas qualidades espirituais que todas  as religiões prescrevem como positivas e que nos capacitam para  iniciações maiores.

      No Vishudi começamos a usar a capacidade de interferir no meio em que vivemos. Esse tem completa relação com o segundo, isto é, pelo segundo captamos e pelo quinto direcionamos. Esse tem alguma ligação com poder ou autoridade no sentido de que com sua atuação podemos ser ouvidos.

      No Ajna conquistamos o poder de discernir por nós próprios. Nesse podemos dizer que vemos as coisas face a face, trazendo aquilo que chamamos de sabedoria, aquela que sabe ver com os olhos do espírito. Esse é o outro chakra que na SD priorizamos por ser aquele que desenvolve em nós a autonomia, a capacidade de nos guiarmos por nós mesmo. Sri Vayera costumava dizer que as duas asas que equilibravam o anjo eram o amor e a sabedoria que são respectivamente os chakras Anahata e Ajna que utilizamos como principais centros de concentração nas meditações suddhas, visando exatamente a conquista desse equilíbrio.

      No Sahasrara dizemos que o seu desenvolvimento é quase que uma consequência natural do alinhamento dos anteriores, ou seja, é o resultado de um trabalho de harmonização para que a energia pudesse ter subido através dos Nadhis, culminando com a irradiação que se expande  após ter  equilibrado as duas correntes, negativa e positiva, Ida e Pingala, ao longo da jornada evolutiva, através do caminho feito para que os centros anteriores pudessem ter sido organizados.

      Em cada um desses centros a mesma energia que permanecia acumulada no primeiro e aquela fomos sendo capazes de atrair foram sendo sutilizadas e direcionada no sentido de promover cada vez mais equilíbrio e para que pudessem  finalmente possibilitar esse ápice que acontece com a chegada da energia  no último chakra, onde vivenciamos um sentimento de plenitude e unidade, onde a dualidade e até a multiplicidade são sintetizadas. A compreensão do processo cósmico com um entendimento que transcende a visão polarizada, separativista e dual tão atormentadora nas fases anteriores a essa conquista. Vencemos medos e desejos que nos aprisionam, impossibilitando-nos de ver e viver como verdadeiros seres humanos, aterrorizados como se fôssemos ainda animais numa selva: defendendo ou atacando para sobreviver. Aqui chegamos à completa condição humana como descrita na SD.

      Vamos tentar agora falar um pouco como essa energia que captamos é absorvida através de nossos corpos.

      No primeiro, Annamayakosha, absorvemos essa energia que chega pelos alimentos advinda dos Mahabhutas (ar, terra,água, fogo e éter), mas isso merece também  melhor compreensão. Não é só o alimento em si com todas as propriedades que possa conter, que poderá nutrir, nosso corpo físico, mas todo  processo que envolve a alimentação, ou seja, todos os sentidos que utilizamos no ato de comer: o olfato, o paladar, a visão, muitas vezes também o tato e  audição. Tudo isso que envolve nossos sentidos já é parte do que alimenta o outro corpo superior, ou seja, o Pranamayakosha. Nesse segundo corpo ficam localizados os chakras por onde mais facilmente a energia é absorvida em nosso organismo e por onde também alimentamos nossos sentidos ou emoções. Nossas emoções é que verdadeiramente nutrem esse corpo elétrico que mantém a vida do primeiro corpo, o físico propriamente dito, e não somente o alimento que ingerimos, sendo que esse, mesmo sendo absolutamente saudável se não estiver acompanhado de um bom funcionamento dos sentidos pode acarretar uma condição nem sempre também saudável no organismo físico.

      Já o Pranamayakosha que, como dissemos, é feito de emoções, acaba sendo nutrido pela qualidade de pensamentos que ingerimos. Isso vem demonstrar que  dependendo de como pensamos definimos a qualidade de sentimentos e emoções que formam nossa aura que nutre também nosso corpo físico. Então vemos que o Manomayakosha, terceiro veículo, é quem verdadeiramente define a qualidade de aura que teremos e a condição de saúde que desfrutamos num sentido mais amplo e holístico. Podemos aqui mencionar o célebre ditado: men sana,  corpore sano. Se você é capaz de pensar de forma equilibrada tenderá também a ter harmoniosoos sentimentos que poderão resultar numa correta maneira de se alimentar, física,  emocional e mentalmente.

      No Vignanamayakosha  dizemos que esse corpo se nutre de abstrações, intuições, de

sutilíssimas energias muito distantes e superiores ao mental mais objetivo e comparativo do Manomayakosha. Não são fantasias ou elocubrações inconseqüentes, mas uma nova capacidade de discernir e aprender. Conforme é nossa condição evolutiva esse pode ser um corpo consciente e até desenvolvido ou não. Podemos ter esse veículo num processo ainda quase que embrionário, em processo de formação, ainda mal definido, em pura e simples latência. A meditação tem a capacidade de organizar e criar um melhor desempenho no terceiro corpo e favorece o consciente uso desse quarto. Esse quarto, através de um  subjetivar de pensamentos e motivações, propicia seu desenvolvimento, que, naturalmente, criarão uma nova forma de pensar, nutrindo o corpo mental, ou seja, o anterior, com  melhor capacidade de raciocínio, gerando, conseqüentemente  melhor corpo vibratório ou elétrico, resultando numa mais plena condição de equilíbrio físico.

      No Anandamayakosha  vivemos uma condição de plenitude, de completa harmonia. Para que isso seja alcançado é preciso que uma inteira transmutação tenha sido concluída, fazendo com que as energias tenham sido sutilizadas desde a nossa básica, contida no Muladhara desde o nascimento, até aquela que fomos sendo capazes de atrair e nutrir todos os chakras e assimilar através do bom uso nos demais corpos.

      Todo esse processo evolutivo, que no Anandamayakosha experimentamos,  inevitavelmente mostra  completa capacidade de atração consciente de energia pelos chakras superiores que demonstram, também, que aí, sim, podemos nos considerar verdadeiramente  humanos, sendo aqui possível  aquilo que hoje nos parece milagre ou incompreensível, para nossos atuais parâmetros, desdobrar de forma espantosa os nossos cinco primeiros e básicos sentidos, atualmente tão limitados pela nossa incapacidade de conhecer e mais ainda de saber usá-los em sua mais completa acepção  

      Temos também como ferramentas principais para o bom uso dessas energias que captamos os quatro Dharmas que nos põem em contínuo e eterno aprendizado: Gnana (conhecimento), Bhakti ou Iccha (devoção ou vontade), Kriya ou Karma (ação) e Yoga (síntese). Nesse ciclo didático que a Vida Cósmica se impõe para nós, repetimos aquela polarização que nos mobiliza para o crescimento, através da dualidade, pares e opostos que se complementam: Sankya e Yoga – análise e síntese, feminino e masculino, negativo e positivo, Ida e Pingala  (Surya e Chandra nadhis), exteriorização e interiorização (Pravritti e Nivritti) .

      Se pudermos perceber este eterno ciclo cósmico:

      - a dualidade como processo de observação: positivo/ negativo, Luz e Sombra, etc...  ;

      - criar, preservar e reintegrar ou transmutar: Brahma, Vishnu e Shiva;

      - os quatro Dharmas que nos estimulam ao movimento: saber, querer, fazer e sintetizar,

poderemos ter uma nova e mais enriquecedora visão da vida, e aí sim, saber absorver, beber mesmo cada uma das respirações como Vida, Energia Divina, Shakti que cria e decompõe universos, num contínuo movimento de pulsar que se repete infinitamente microcósmica e macrocosmicamente, gerando uma eterna aproximação de estágios cada vez mais grandiosos de percepção da própria Energia de Vida, Shakti, Maya ou Deus em manifestação e sendo cada vez mais capazes de atuar no plano com Nayshkarmya, desapego ao fruto da ação, conscientes que a mesma força que nos move é única, indivisível, eterna, verdadeiramente Deus e o diferencial na multiplicidade é nossa capacidade  de entender, captar e acionar com discernimento essa potência divina que hoje carregamos quase que sem consciência, tornando esse  estado latente em manifesto.

 

 

 

 

 

 

 

                                               Ribeirão Preto, julho de 2002.

 

                                       

                                          

                                                    Telma Jábali Barretto

           

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